
A especiaria
Sabe-se que o açafrão é pelo menos tão antigo como a escrita, conforme consta de registos muito anteriores à nossa era. Da China ao Egipto, da Grécia a Roma, o açafrão sempre foi apreciado pelo seu aroma requintado, propriedades medicinais e pigmento de rara beleza. Deve o seu nome à palavra árabe “AZ-ZA'AFRAN” e foi precisamente pela via árabe que foi inserido na península ibérica.
Uma das referências históricas provem de um texto egípcio, escrito cerca de 1500 a.c., que refere o cultivo do açafrão em Luxor. Deve pois andar perto da verdade a história segundo a qual Cleópatra utilizava essência de açafrão para seduzir. Sabe-se por exemplo, que os Fenícios tinham a tradição de passar a noite de núpcias em lençóis coloridos com açafrão e que os Gregos, além de o utilizarem no tratamento de insónias e cura de má disposição, o consideravam um afrodisíaco poderoso, quando misturado no banho.
O verdadeiro açafrão é uma especiaria caríssima porque para se obter 1 kg são necessárias 100 mil flores. Este produto da flôr de crocus, de cor lilás e estigmas escarlate que podem ser colhidos e secos para formar a tão valorizada especiaria, adiciona um sabor pungente e bastante aromático aos alimentos bem como uma fantástica cor dourada.
As suas propriedades colorantes são tão especiais como o seu aroma e sabor únicos. Na índia a sua cor é considerada como epítome da beleza e a cor oficial dos monges budistas.